ESCRITO PELO 3º SARGENTO PANCA DO 18° BPM, BRUSQUE, SANTA CATARINA - BRASIL EM NOVEMBRO DE 2011
Marciano
Lucio Panca[1]
RESUMO
Este
artigo tem objetivo de divulgar a necessidade imediata da compreensão da
palavra liderança na Polícia Militar de Santa Catarina. Com as mudanças
radicais que vem ocorrendo em nossa instituição, é de suma importância que os líderes
apareçam ou sejam encontrados no efetivo.
Um
turbilhão de informações está sendo “basculado” sobre os colaboradores da
segurança pública todos os dias, alterações de leis que mechem com o cotidiano
dos policiais chegam a todo o momento. O conhecimento empírico faz parte dos
homens e mulheres que compõem a mais que sesquicentenária PMSC, mas, no século
21, acoplado a este conhecimento, chega o momento de atualizar-se.
O
líder tem um papel importantíssimo neste processo, o de motivar seus liderados
para uma atualização contínua e o de buscar meios para que isto possa ocorrer.
“Feliz aquele que
transfere o que sabe e aprende o que ensina”
Cora
Coralina[2]
Palavras chave: Liderança, PMSC, oficiais, sargentos, policiais
colaboradores, conhecimento e motivação.
INTRODUÇÃO
A Polícia
Militar em seus 176 anos atuou exclusivamente na repressão e restauração da
ordem pública, vindo a pensar em prevenção com mais firmeza depois da constituição
de 1988. Nesta constituição, alteraram-se as atribuições constitucionais dando-lhe
uma abrangência tão grande, que apenas 20 anos depois começou a ser
interpretada de forma literal. Art 144... § 5º - às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação
da ordem pública... (CF 1988)
Como
fazer com que esta interpretação chegue de forma clara a seus integrantes de
ponta?
O
sistema de comando militar vem de épocas em que os subordinados não pensavam ou
não podiam pensar, nem dar opiniões. Se hoje, todos os comandantes mudarem esse
conceito e valorizar o “material” humano, cada um com suas peculiaridades, a
assimilação das novas informações será mais fácil.
É
neste contexto que a liderança faz a diferença. Hoje o subordinado conta com a
iniciativa dos superiores em tomar as decisões. Se a liderança for incentivada
e o policial estiver motivado, poderá opinar e fazer parte do processo
decisivo.
Antes
de dar segmento à mudança de atuação dos colaboradores ou de adequação a nova
realidade de Polícia Ostensiva, os líderes devem deixar seus colaboradores
motivados para o serviço policial. ”Um
bom líder é aquele que fala, mas também ouve, procurando se interar da
realidade e do andamento do processo” (Denk, 2011).
Ouvir é uma das habilidades mais importantes
que um líder pode escolher para desenvolver. Se o líder se recusa a ouvir o subordinado, não está
valorizando sua opinião (Hunter 2004, pag. 40).
E com certeza, o policial de operações tem muito a
contribuir para o bem do serviço operacional e da sociedade em geral. É ele que
está diretamente ligado a comunidade e aos pontos críticos a serem policiados.
Marcineiro (2009 p. 134) nos mostra que na filosofia
de polícia comunitária, “O desejo é que o policial seja pró-ativo, tomando
iniciativas que removam as causas da violência, da desordem e do crime e
promova melhoria na qualidade de vida”.
Desta forma, dando autonomia aos colaboradores
de ponta, motivando-os e fazendo com que eles gostem da profissão e de estar no
ambiente do quartel, a “enchente” de informações que mudará sua vida
profissional não os pegará de surpresa.
Quando
as mudanças são apresentadas por pessoas em que os executores possam confiar,
como de um líder motivador, temos a certeza que mais de 90% destas serão
assimiladas.
Darella Neto (2004) apud (Denk, 2011), diz que: “o
líder é eficaz quando possui capacidade e sensibilidade para entender e
compreender seus seguidores”.
Hunter (2004 pag. 37) conclui também que: “... o
ingrediente mais importante num relacionamento bem sucedido é a confiança”...
“Sem confiança é praticamente impossível conservar um relacionamento”. É
extremamente necessário manter um relacionamento de confiança entre comando e
tropa para uma efetividade no combate e prevenção à criminalidade.
Coronel Nazareno Marcineiro,
Comandante Geral da PMSC em entrevista veiculada na coluna Pelo Estado de mais
de 50 jornais de circulação estadual (2011) afirma: “O diferencial está na
confiança. Partimos do seguinte princípio: se eu confio no policial enquanto
está em serviço, por quê não devo confiar quando ele está fora da escala?”
Gerentes e colaboradores da segurança pública devem
ter um relacionamento de confiança, com os alicerces da hierarquia e
disciplina, para que a polícia Militar possa prestar um serviço de qualidade na
preservação da ordem pública em sua atribuição legal de polícia ostensiva.
Esta
nova atribuição constitucional exige policiais maduros e preparados para
mudanças e desafios. Terão que lutar contra “inimigos” externos, que
explicitamente são contra esta evolução da Polícia Militar. Inimigos estes que
jogarão sujo e farão de tudo para derrubar à instituição.
O líder,
seja ele um Oficial, um Sargento ou um colaborador mais antigo, terão mais esta
responsabilidade, manter os policiais motivados apesar dos “ventos contrários” [3] e com liderança e
sabedoria farão com que se mantenham firmes na linha de frente.
Vencida
esta “batalha”, os policiais bem liderados, estarão prontos para trabalhar
preventivamente junto à comunidade. Prestando
um serviço de qualidade, atendendo bem o público externo, pois sabem que
internamente são tratados como seres inteligentes, que tem opiniões e
sentimentos.
Que
de alguma forma podem também serem líderes em seu local de trabalho. “Ser líder não é apenas estar em uma função
de comando. Ser líder é ser um guia, um ‘norte’ para as pessoas que buscam a
polícia militar na tentativa de resolução de seus problemas “[4].
O
policial de operações sentindo-se respeitado, valorizado e um efetivo
integrante do sistema, acreditará que o que faz, será bom para o futuro de sua
comunidade e de seus filhos, que estão inseridos nesta.
LÍDER
POR NATUREZA
Na
atual gestão da polícia Militar, percebemos que a “semente” da motivação está
sendo plantada e uma nova classe de líderes está nascendo. A natureza se
encarrega de preparar muitos líderes, mas também cabe a instituição, e
principalmente aos oficiais, encontrá-los no seio da tropa.
Muitos
dos soldados da polícia militar só não são oficiais por circunstâncias alheias
a sua vontade, mas, com certeza, suas habilidades poderiam ser bem utilizadas
em prol do bem comum.
A
“estrela” do subordinado também brilha, e não devemos deixar esta luz se
apagar, como tantas outras que se apagaram com o tempo ou mudaram de
instituição por falta de reconhecimento.
O
reconhecimento profissional é uma das alavancas mais fortes para o colaborador.
É a vitamina para a determinação. É a alvorada do novo amanhecer do policial
que ama sua profissão. E o papel do líder é fazer com que isto ocorra.
“...
está fadada ao fracasso qualquer política para um “policial do futuro”, seja
ela formulada na instituição que for, se o “futuro preferível” não for buscado
em sua extensão plena – incluindo também “instituições policiais do futuro”.
(Dantas e Brito 2008, pag. 24).
A
extensão plena abrange a motivação do policial de ponta, aquele que está
diretamente ligado a comunidade, que está sujeito a cometer erros ao tentar
acertar para cumprir seu dever, que toma decisões em segundos as quais salvam
muitas vidas. Que na faixa de pedestre para o trânsito para as crianças passarem
ao sair da escola, que ajuda a senhora a atravessar a rua e em seguida enfrenta
bandidos armados para defender o bem comum.
Segundo
um artigo sobre qualidade de vida, publicado no site da clickrbs em (2010) [5], a falta de reconhecimento
profissional é um dos principais fatores de desmotivação no trabalho.
O
policial desmotivado assume o serviço já pensando no horário de saída, isto
porque seu comandante ou seu superior imediato não estão preocupados em reconhecer
seus serviços prestados e nem de saber por que ele está cabisbaixo.
Alguns
dizem que estão desmotivados por causa dos baixos salários, mas, o tratamento
digno e respeitoso, a capacidade de contribuir para o sucesso da organização, o
sentimento de participação sempre apareceram acima do dinheiro em pesquisas
realizadas (Hunter, 2004, pag. 36).
O
autor do artigo do site da clickRBS acima citado diz ainda que:
“Acordar todos os dias
para trabalhar é uma tarefa árdua para muitas pessoas que não se sentem
motivadas nas atividades que desempenham. A falta de reconhecimento
profissional pode ser o principal fator para este comportamento. Com o tempo,
este tipo de situação pode causar problemas graves de saúde como depressão e
crises de pânico”.
É
tempo de mudanças, é tempo de quebra de paradigmas. Não podemos dizer que veio
tarde. Nunca é tarde para novos ares. A Polícia Militar estava com o “coração”
fraco, dando sinais de estar seguindo a um colapso do sistema.
Esta
nova visão de comando, polícia comunitária, policiamento voltado ao cidadão e
projetos de motivação institucional, trazem uma esperança a mais para quem quer
fazer desta nobre instituição, sua segunda casa, sua segunda e amada família.
Será que isto é utopia? Não! É uma realidade que está bem à frente de nossos
olhos, e que não tardará em dar frutos.
O Oficial,
Sargento ou o Policial colaborador que tiver a coragem de assumir esta posição
de líder, será felizardo e terá um grupo coeso, trabalhando para os mesmos
objetivos, a união das classes (Panca, 2011) e a segurança das comunidades que
confiam na Polícia Militar.
CONCLUSÃO
A Polícia Militar dentro de
suas competências, vem se atualizando e modernizando, acompanhando o
crescimento tecnológico, para que possa atuar sempre melhor em prol da
comunidade.
Mas as competências geram
grandes responsabilidades para cada um de seus integrantes, que devem manter-se
em constante atualização, buscando o conhecimento para que se tornem pessoas
cada vez mais responsáveis dentro de suas atribuições, atuando com garbo,
mostrando seus valores no cumprimento do dever.
Conhecer sua profissão e
procurar o autoconhecimento, deve ser a meta de todo Policial, valorizando-se e
tornando-se capaz de atuar como um bom líder, que transmite, planeja, orienta,
observa, aconselha e também aprende com o liderado.
E com isso, a valorização do
capital humano dentro da Instituição policial Militar, deve ser reconhecida,
aproveitando os novos talentos e competências, instigando cada vez mais essas
pessoas a alcançarem seus objetivos e crescimento dentro da organização.
Hoje, mais do que nunca,
estamos acordando para uma nova realidade, concretizando idéias que antes
estavam somente sendo estudadas e/ou planejadas. As novas estratégias de alguns
líderes vêm se destacando dentro da Instituição Policial Militar, alcançando os
objetivos tão almejados, e com isso sermos reconhecidos pela sociedade como
instituição de excelência no campo da Segurança Pública.
É de vital importância o
comprometimento de todos os componentes “Policiais Militares”, funcionando como
um sistema, para que haja um sincronismo, lutando com o mesmo objetivo.
Para isso precisamos de bons
lideres, e educar, valorizar, motivar, é indispensável para que os novos
Policiais que estão compondo as fileiras da corporação, tenham uma formação
cada vez melhor, com mais conhecimento na área de atuação, gerando pessoas
qualificadas, competentes e fazendo com que se sintam parte do processo,
ajudando a construir e agregando valores a organização Policial Militar.
REFERÊCIAS
Denk, J.C. A Liderança Do Oficial Da Polícia
Militar (2011)
BRASIL. Constituição
(1988). Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível
em: <http://www.planalto.gov.br>. Acesso em: 02 out. 2011.
ARTIGO SOBRE QUALIDADE DE VIDA (15/07/2010).
Disponível em: http://www.clicrbs.com.br/especial/rs/bem-estar/19,0,2971025,Falta-de-reconhecimento-profissional-e-um-dos-principais-fatores-de-desmotivacao-no-trabalho.html Acesso em: 05 de out. de 2011.
DANTAS, G. F. L.: BRITO, C. E. T. A futurologia
policial: Breves reflexões introdutórias. Revista
Ordem Pública, ano v.1, n.1 2008.
PANCA, M. L. União Entre as Classes na Polícia
Militar, Utopia ou uma Realização Possível. (2011)
HUNTER, J. C. O Monge e o Executivo Uma História
Sobre a Essência da liderança (2004).
MARCINEIRO, N. Polícia Comunitária: Construindo
Segurança nas Comunidades ( 2009).
MARCINEIRO, N.
Entrevista à Coluna Pelo Estado disponivel em: http://www.webpack.com.br/templates/includes/baixararquivo.jsp?id=794&NomeArquivo=PELO_ESTADO_ENTREVISTA_COM._MARCINEIRO_07_11_11.pdf&idEmpresa=185
acessado em: 10/11/2011.
MILITARY POLICE LEADERSHIP IN SANTA CATARINA
ABSTRACT
This article has aimed to
promote the immediate need of understanding of the word leadership in the
Military Police of Santa Catarina. With the radical changes that have occurred
in our institution is very important that the leaders appear, or are found in
effective.
A flurry of information is
being tipped about the troops every day, changes in laws that fuses with the
daily lives of police officers arrive at any time. The empirical knowledge is
part of the men and women who make up more than sesquicentenária PMSC, but in
the 21st century, coupled with this knowledge comes the time to catch up.
"He held that only police today no longer meets the aspirations of the new
constitutional order and therefore the community ..." (Denk, 2011).
The leader has an important
role in this process, to motivate their team for an update and continues to
seek ways for this to occur. It is in this context that this article is to be
useful.
"Happy are those who transfer what know and learn what he
teaches"
Cora Coralina
DIRECCIÓN
DE LA POLICÍA MILITAR DE SANTA CATARINA
RESUMEN
Este artículo tiene como
objetivo promover la necesidad inmediata de la comprensión de la palabra
liderazgo en la Policía Militar de Santa Catarina. Con los cambios radicales
que han ocurrido en nuestra institución es muy importante que los líderes
aparecen, o se encuentran en efectivo.
Un aluvión de información se
inclinó sobre las tropas todos los días, los cambios en las leyes que se
fusiona con la vida cotidiana de los agentes de policía llegar en cualquier
momento. El conocimiento empírico es parte de los hombres y mujeres que
conforman más de sesquicentenária estas empresas, pero en el siglo 21, junto
con este conocimiento viene el momento de ponerse al día. "Él sostuvo que
la policía sólo en la actualidad ya no cumple con las aspiraciones de el nuevo
orden constitucional y por lo tanto, la comunidad ..." (Denk, 2011).
El líder tiene un papel
importante en este proceso, para motivar a su equipo una actualización y sigue
buscando formas para que esto ocurra. Es en este contexto que este artículo ha
de ser útil.
"Felices los que la transferencia de lo que
aprendan y sepan lo que enseña"
Cora Coralina
[1]
Policial Militar desde 09 de dezembro de 1996. Promovido a cabo por ato de
bravura em 2003.
3º Sargento da Polícia Militar do Estado de Santa Catarina,
graduando em Tecnologia em Processos Gerenciais pela Faculdade Tecnológica
de Curitiba. Nivelado na 16ª Instrução de nivelamento de conhecimento da Força
Nacional de Segurança pública em 2005.
e-mail:
sgtpanca@gmail.com
[2] Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos
Guimarães Peixoto Bretas, (Nascida na Cidade de Goiás, 20 de agosto de 1889
vindo a falecer em Goiânia, 10 de abril de 1985) foi uma poetisa e contista
brasileira. Considerada uma das principais escritoras brasileiras, ela teve seu
primeiro livro publicado em junho de 1965 (Poemas dos Becos de Goiás e Estórias
Mais) quando já tinha quase 76 anos de idade.
[3] Madre
Paulina em sua jornada deixa uma mensagem aos jovens: Queridos
jovens, vocês possuem
vigor juvenil e muitos dons para serem colocados a serviço dos irmãos. Não
tenham medo! A vida é para ser doada, por isso nunca, jamais desanimeis embora venham ventos contrários. Grifo
meu: O PM tem sua vida doada a comunidade desde seu juramento de formatura “...
mesmo com o risco da própria vida”.
[4]
Conceito formulado pelo AUTOR.
[5]
Não ha assinatura do autor.