quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

LIDERANÇA MOTIVACIONAL NA PMSC UMA NECESSIDADE DOS NOVOS TEMPOS


ESCRITO PELO 3º SARGENTO PANCA DO 18° BPM, BRUSQUE, SANTA CATARINA - BRASIL EM NOVEMBRO DE 2011

Marciano Lucio Panca[1]

RESUMO

Este artigo tem objetivo de divulgar a necessidade imediata da compreensão da palavra liderança na Polícia Militar de Santa Catarina. Com as mudanças radicais que vem ocorrendo em nossa instituição, é de suma importância que os líderes apareçam ou sejam encontrados no efetivo.
Um turbilhão de informações está sendo “basculado” sobre os colaboradores da segurança pública todos os dias, alterações de leis que mechem com o cotidiano dos policiais chegam a todo o momento. O conhecimento empírico faz parte dos homens e mulheres que compõem a mais que sesquicentenária PMSC, mas, no século 21, acoplado a este conhecimento, chega o momento de atualizar-se.
O líder tem um papel importantíssimo neste processo, o de motivar seus liderados para uma atualização contínua e o de buscar meios para que isto possa ocorrer.

“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”
Cora Coralina[2]


Palavras chave: Liderança, PMSC, oficiais, sargentos, policiais colaboradores, conhecimento e motivação.


INTRODUÇÃO

A Polícia Militar em seus 176 anos atuou exclusivamente na repressão e restauração da ordem pública, vindo a pensar em prevenção com mais firmeza depois da constituição de 1988. Nesta constituição, alteraram-se as atribuições constitucionais dando-lhe uma abrangência tão grande, que apenas 20 anos depois começou a ser interpretada de forma literal. Art 144... § 5º - às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública... (CF 1988)
Como fazer com que esta interpretação chegue de forma clara a seus integrantes de ponta?
O sistema de comando militar vem de épocas em que os subordinados não pensavam ou não podiam pensar, nem dar opiniões. Se hoje, todos os comandantes mudarem esse conceito e valorizar o “material” humano, cada um com suas peculiaridades, a assimilação das novas informações será mais fácil.
É neste contexto que a liderança faz a diferença. Hoje o subordinado conta com a iniciativa dos superiores em tomar as decisões. Se a liderança for incentivada e o policial estiver motivado, poderá opinar e fazer parte do processo decisivo.   
Antes de dar segmento à mudança de atuação dos colaboradores ou de adequação a nova realidade de Polícia Ostensiva, os líderes devem deixar seus colaboradores motivados para o serviço policial. ”Um bom líder é aquele que fala, mas também ouve, procurando se interar da realidade e do andamento do processo” (Denk, 2011).
Ouvir é uma das habilidades mais importantes que um líder pode escolher para desenvolver. Se o líder se recusa a ouvir o subordinado, não está valorizando sua opinião (Hunter 2004, pag. 40).
E com certeza, o policial de operações tem muito a contribuir para o bem do serviço operacional e da sociedade em geral. É ele que está diretamente ligado a comunidade e aos pontos críticos a serem policiados.
Marcineiro (2009 p. 134) nos mostra que na filosofia de polícia comunitária, “O desejo é que o policial seja pró-ativo, tomando iniciativas que removam as causas da violência, da desordem e do crime e promova melhoria na qualidade de vida”.
 Desta forma, dando autonomia aos colaboradores de ponta, motivando-os e fazendo com que eles gostem da profissão e de estar no ambiente do quartel, a “enchente” de informações que mudará sua vida profissional não os pegará de surpresa.
Quando as mudanças são apresentadas por pessoas em que os executores possam confiar, como de um líder motivador, temos a certeza que mais de 90% destas serão assimiladas.
Darella Neto (2004) apud (Denk, 2011), diz que: “o líder é eficaz quando possui capacidade e sensibilidade para entender e compreender seus seguidores”.
Hunter (2004 pag. 37) conclui também que: “... o ingrediente mais importante num relacionamento bem sucedido é a confiança”... “Sem confiança é praticamente impossível conservar um relacionamento”. É extremamente necessário manter um relacionamento de confiança entre comando e tropa para uma efetividade no combate e prevenção à criminalidade.
           Coronel Nazareno Marcineiro, Comandante Geral da PMSC em entrevista veiculada na coluna Pelo Estado de mais de 50 jornais de circulação estadual (2011) afirma: “O diferencial está na confiança. Partimos do seguinte princípio: se eu confio no policial enquanto está em serviço, por quê não devo confiar quando ele está fora da escala?”
Gerentes e colaboradores da segurança pública devem ter um relacionamento de confiança, com os alicerces da hierarquia e disciplina, para que a polícia Militar possa prestar um serviço de qualidade na preservação da ordem pública em sua atribuição legal de polícia ostensiva.
Esta nova atribuição constitucional exige policiais maduros e preparados para mudanças e desafios. Terão que lutar contra “inimigos” externos, que explicitamente são contra esta evolução da Polícia Militar. Inimigos estes que jogarão sujo e farão de tudo para derrubar à instituição.
O líder, seja ele um Oficial, um Sargento ou um colaborador mais antigo, terão mais esta responsabilidade, manter os policiais motivados apesar dos “ventos contrários” [3] e com liderança e sabedoria farão com que se mantenham firmes na linha de frente.
Vencida esta “batalha”, os policiais bem liderados, estarão prontos para trabalhar preventivamente junto à comunidade.  Prestando um serviço de qualidade, atendendo bem o público externo, pois sabem que internamente são tratados como seres inteligentes, que tem opiniões e sentimentos.
Que de alguma forma podem também serem líderes em seu local de trabalho. “Ser líder não é apenas estar em uma função de comando. Ser líder é ser um guia, um ‘norte’ para as pessoas que buscam a polícia militar na tentativa de resolução de seus problemas[4].
O policial de operações sentindo-se respeitado, valorizado e um efetivo integrante do sistema, acreditará que o que faz, será bom para o futuro de sua comunidade e de seus filhos, que estão inseridos nesta.

LÍDER POR NATUREZA

Na atual gestão da polícia Militar, percebemos que a “semente” da motivação está sendo plantada e uma nova classe de líderes está nascendo. A natureza se encarrega de preparar muitos líderes, mas também cabe a instituição, e principalmente aos oficiais, encontrá-los no seio da tropa.
Muitos dos soldados da polícia militar só não são oficiais por circunstâncias alheias a sua vontade, mas, com certeza, suas habilidades poderiam ser bem utilizadas em prol do bem comum.
A “estrela” do subordinado também brilha, e não devemos deixar esta luz se apagar, como tantas outras que se apagaram com o tempo ou mudaram de instituição por falta de reconhecimento.
O reconhecimento profissional é uma das alavancas mais fortes para o colaborador. É a vitamina para a determinação. É a alvorada do novo amanhecer do policial que ama sua profissão. E o papel do líder é fazer com que isto ocorra.
“... está fadada ao fracasso qualquer política para um “policial do futuro”, seja ela formulada na instituição que for, se o “futuro preferível” não for buscado em sua extensão plena – incluindo também “instituições policiais do futuro”. (Dantas e Brito 2008, pag. 24).
A extensão plena abrange a motivação do policial de ponta, aquele que está diretamente ligado a comunidade, que está sujeito a cometer erros ao tentar acertar para cumprir seu dever, que toma decisões em segundos as quais salvam muitas vidas. Que na faixa de pedestre para o trânsito para as crianças passarem ao sair da escola, que ajuda a senhora a atravessar a rua e em seguida enfrenta bandidos armados para defender o bem comum.
Segundo um artigo sobre qualidade de vida, publicado no site da clickrbs em (2010) [5], a falta de reconhecimento profissional é um dos principais fatores de desmotivação no trabalho.
O policial desmotivado assume o serviço já pensando no horário de saída, isto porque seu comandante ou seu superior imediato não estão preocupados em reconhecer seus serviços prestados e nem de saber por que ele está cabisbaixo.
Alguns dizem que estão desmotivados por causa dos baixos salários, mas, o tratamento digno e respeitoso, a capacidade de contribuir para o sucesso da organização, o sentimento de participação sempre apareceram acima do dinheiro em pesquisas realizadas (Hunter, 2004, pag. 36).
O autor do artigo do site da clickRBS acima citado diz ainda que:
Acordar todos os dias para trabalhar é uma tarefa árdua para muitas pessoas que não se sentem motivadas nas atividades que desempenham. A falta de reconhecimento profissional pode ser o principal fator para este comportamento. Com o tempo, este tipo de situação pode causar problemas graves de saúde como depressão e crises de pânico”.
É tempo de mudanças, é tempo de quebra de paradigmas. Não podemos dizer que veio tarde. Nunca é tarde para novos ares. A Polícia Militar estava com o “coração” fraco, dando sinais de estar seguindo a um colapso do sistema.
Esta nova visão de comando, polícia comunitária, policiamento voltado ao cidadão e projetos de motivação institucional, trazem uma esperança a mais para quem quer fazer desta nobre instituição, sua segunda casa, sua segunda e amada família. Será que isto é utopia? Não! É uma realidade que está bem à frente de nossos olhos, e que não tardará em dar frutos.
O Oficial, Sargento ou o Policial colaborador que tiver a coragem de assumir esta posição de líder, será felizardo e terá um grupo coeso, trabalhando para os mesmos objetivos, a união das classes (Panca, 2011) e a segurança das comunidades que confiam na Polícia Militar.

CONCLUSÃO

A Polícia Militar dentro de suas competências, vem se atualizando e modernizando, acompanhando o crescimento tecnológico, para que possa atuar sempre melhor em prol da comunidade.
Mas as competências geram grandes responsabilidades para cada um de seus integrantes, que devem manter-se em constante atualização, buscando o conhecimento para que se tornem pessoas cada vez mais responsáveis dentro de suas atribuições, atuando com garbo, mostrando seus valores no cumprimento do dever.
Conhecer sua profissão e procurar o autoconhecimento, deve ser a meta de todo Policial, valorizando-se e tornando-se capaz de atuar como um bom líder, que transmite, planeja, orienta, observa, aconselha e também aprende com o liderado.
E com isso, a valorização do capital humano dentro da Instituição policial Militar, deve ser reconhecida, aproveitando os novos talentos e competências, instigando cada vez mais essas pessoas a alcançarem seus objetivos e crescimento dentro da organização.
Hoje, mais do que nunca, estamos acordando para uma nova realidade, concretizando idéias que antes estavam somente sendo estudadas e/ou planejadas. As novas estratégias de alguns líderes vêm se destacando dentro da Instituição Policial Militar, alcançando os objetivos tão almejados, e com isso sermos reconhecidos pela sociedade como instituição de excelência no campo da Segurança Pública.
É de vital importância o comprometimento de todos os componentes “Policiais Militares”, funcionando como um sistema, para que haja um sincronismo, lutando com o mesmo objetivo.
Para isso precisamos de bons lideres, e educar, valorizar, motivar, é indispensável para que os novos Policiais que estão compondo as fileiras da corporação, tenham uma formação cada vez melhor, com mais conhecimento na área de atuação, gerando pessoas qualificadas, competentes e fazendo com que se sintam parte do processo, ajudando a construir e agregando valores a organização Policial Militar.

REFERÊCIAS

Denk, J.C. A Liderança Do Oficial Da Polícia Militar (2011)

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br>. Acesso em: 02 out. 2011.
DANTAS, G. F. L.: BRITO, C. E. T. A futurologia policial: Breves reflexões introdutórias. Revista Ordem Pública, ano v.1, n.1 2008.
PANCA, M. L. União Entre as Classes na Polícia Militar, Utopia ou uma Realização Possível. (2011)
HUNTER, J. C. O Monge e o Executivo Uma História Sobre a Essência da liderança (2004).
MARCINEIRO, N. Polícia Comunitária: Construindo Segurança nas Comunidades ( 2009).




MILITARY POLICE LEADERSHIP IN SANTA CATARINA
ABSTRACT
This article has aimed to promote the immediate need of understanding of the word leadership in the Military Police of Santa Catarina. With the radical changes that have occurred in our institution is very important that the leaders appear, or are found in effective.
A flurry of information is being tipped about the troops every day, changes in laws that fuses with the daily lives of police officers arrive at any time. The empirical knowledge is part of the men and women who make up more than sesquicentenária PMSC, but in the 21st century, coupled with this knowledge comes the time to catch up. "He held that only police today no longer meets the aspirations of the new constitutional order and therefore the community ..." (Denk, 2011).
The leader has an important role in this process, to motivate their team for an update and continues to seek ways for this to occur. It is in this context that this article is to be useful.
"Happy are those who transfer what know and learn what he teaches"
                                                                                         Cora Coralina



DIRECCIÓN DE LA POLICÍA MILITAR DE SANTA CATARINA

RESUMEN
Este artículo tiene como objetivo promover la necesidad inmediata de la comprensión de la palabra liderazgo en la Policía Militar de Santa Catarina. Con los cambios radicales que han ocurrido en nuestra institución es muy importante que los líderes aparecen, o se encuentran en efectivo.
Un aluvión de información se inclinó sobre las tropas todos los días, los cambios en las leyes que se fusiona con la vida cotidiana de los agentes de policía llegar en cualquier momento. El conocimiento empírico es parte de los hombres y mujeres que conforman más de sesquicentenária estas empresas, pero en el siglo 21, junto con este conocimiento viene el momento de ponerse al día. "Él sostuvo que la policía sólo en la actualidad ya no cumple con las aspiraciones de el nuevo orden constitucional y por lo tanto, la comunidad ..." (Denk, 2011).
El líder tiene un papel importante en este proceso, para motivar a su equipo una actualización y sigue buscando formas para que esto ocurra. Es en este contexto que este artículo ha de ser útil.

"Felices los que la transferencia de lo que aprendan y sepan lo que enseña"
Cora Coralina



[1] Policial Militar desde 09 de dezembro de 1996. Promovido a cabo por ato de bravura em 2003.
3º Sargento da Polícia Militar do Estado de Santa Catarina, graduando em Tecnologia em Processos Gerenciais pela Faculdade Tecnológica de Curitiba. Nivelado na 16ª Instrução de nivelamento de conhecimento da Força Nacional de Segurança pública em 2005.

[2] Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, (Nascida na Cidade de Goiás, 20 de agosto de 1889 vindo a falecer em Goiânia, 10 de abril de 1985) foi uma poetisa e contista brasileira. Considerada uma das principais escritoras brasileiras, ela teve seu primeiro livro publicado em junho de 1965 (Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais) quando já tinha quase 76 anos de idade.
[3] Madre Paulina em sua jornada deixa uma mensagem aos jovens: Queridos jovens, vocês possuem vigor juvenil e muitos dons para serem colocados a serviço dos irmãos. Não tenham medo! A vida é para ser doada, por isso nunca, jamais desanimeis embora venham ventos contrários. Grifo meu: O PM tem sua vida doada a comunidade desde seu juramento de formatura “... mesmo com o risco da própria vida”.
[4] Conceito formulado pelo AUTOR.
[5] Não ha assinatura do autor.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Palestra Motivacional no 18º BPM

LIDERANÇA MOTIVACIONAL NA POLÍCIA MILITAR. UMA NECESSIDADE DOS NOVOS TEMPOS


Este é o título do meu mais novo artigo e tema da palestra ministrada no 18º BPM em Brusque, aos policiais em reunião mensal.


O POLICIAL MILITAR É UM LÍDER POR NATUREZA



C    Conhecer sua profissão e procurar o auto conhecimento, deve ser a meta de todo Policial, independente de posto ou graduação. Valorizando-se e tornando-se capaz de atuar como um bom líder, que transmite, planeja, orienta, observa, aconselha e também aprende com o liderado. 

Porque entramos na polícia militar?

Por que almejamos uma sociedade mais justa?
Por que era um sonho de carreira?
Por que é uma carreira estável?
Devemos acordar motivados e por a farda com alegria...
Trabalhar com entusiasmo (a motivação deve ser interior e
não esperar de alguém)...
Acreditar em algo, ter propósito...
Ser justo. Corpo e mente fechados para o que for errado...

O QUE FAZEMOS NA VIDA ECOA NA ETERNIDADE

* DEVEMOS A CADA DIA QUE DE SERVIÇO, PENSAR NO
QUE QUEREMOS PARA NOSSA VIDA, PARA NOSSA
FAMÍLIA.
ž* MUITO DO NOSSO FUTURO DEPENDE DE NÓS.  DA
SEGURANÇA QUE PRESTAMOS.
ž* DE COMO AGIMOS EM NOSSOS SETORES.
ž* DO QUÃO PREOCUPADOS ESTAMOS COM O QUE ESTÁ ACONTECENDO AO NOSSO REDOR.
* žDE COMO ESTAMOS TRATANDO NOSSOS AMIGOS.
ž* DO TRATAMENTO QUE DAMOS AO EFETIVO.

SOMOS HERÓIS!

žQuando assumimos o serviço...somos heróis!!

žQuando atendemos o telefone...somos heróis!!

žQuando deslocamos para a ocorrência...somos heróis!!

žQuando damos uma orientação...somos heróis!!




Obrigado a todos os meus amigos que confiam no meu trabalho e a minha querida esposa que é meu porto seguro!!



3º Sgt Panca





sábado, 5 de novembro de 2011

UNIÃO ENTRE AS CLASSES NA POLÍCIA MILITAR

Escrito em Setembro de 2011


UNIÃO ENTRE AS CLASSES NA POLÍCIA MILITAR, UTOPIA OU UMA REALIZAÇÃO POSSÍVEL



Marciano Lucio Panca [1]



RESUMO

Este artigo tem por objetivo, lançar um olhar clínico na corporação para diagnosticar um problema real que, com certeza, é o principal motivo do desinteresse pelo serviço atualmente entre os policiais. A PMSC está passando por momentos de turbulência por diversos motivos, divergências em atribuições constitucionais, críticas da imprensa, enfim, sejam eles quais forem sempre existirão. O que pode ser feito é diminuir sua incidência. Já está mais do que na hora de voltar os olhos para o interior da instituição e analisar os acontecimentos. Algo não está certo. Seguindo os ensinamentos de Padre Leo e da natureza, surge uma nova forma de pensar Polícia Militar e viver como uma grande e unida família.
Palavras chave: Família, Polícia Militar, oficiais, praças, união.

INTRODUÇÃO

Padre Léo Tarcísio Gonçalves Pereira, sacerdote dehoniano, faleceu aos 45 anos no dia 04 de janeiro de 2007, no Hospital das Clínicas, em São Paulo. A causa mortis foi falência múltipla de órgãos, decorrente de linfoma de Burkit.
Grandioso em suas palestras nos trouxe lições de vida que podem ser seguidas em todas as instituições, sejam elas, empresas públicas ou privadas ou a “instituição” família. No dia 08 de setembro de 2002 em um acampamento na comunidade Canção Nova, Padre Leo ministra uma palestra cujo titulo é: “COMO BAMBUS NO GETSEMANI”.
Com sua imensa sabedoria e humildade, Padre Leo revela exemplos que estão na natureza, à disposição de todos, no artigo em questão, o bambuzeiro, para o crescimento espiritual e sem dúvida institucional, como bem nos diz Morim (1999, p. 34) apud Junior, Aldo Antônio dos Santos “A HIBRIDIZAÇÃO ORGANIZACIONAL DAS POLÍCIAS DO BRASIL (2011) que “[...] é preciso reformar as instituições, mas sem reformarmos os espíritos, a reforma não serve para nada [...]”.
Também o Professor Mendes, Jerônimo em seu artigo “FELIZ DA ORGANIZAÇÃO QUE APRENDE” (2010) bem nos ensina: O “mito do grande homem” já não existe mais. Quem se fez por si mesmo e, a despeito de todas as dificuldades, contornou os obstáculos e construiu um império sozinho, não consegue mais sustentá-lo sem amealhar pessoas inteligentes, dedicadas e altamente comprometidas ao seu redor. Não basta mais ter uma única cabeça pensando e aprendendo pela empresa (instituição), ou seja, não é mais possível esperar as decisões do comandante e fazer com que todos os outros sigam as ordens do “estrategista principal”. Homens de base pensantes e motivados fazem a diferença.

POLÍCIA MILITAR, SEGUNDA FAMÍLIA

A Polícia Militar é a segunda família e o quartel a segunda casa do militar que nela exerce sua função de agente responsável da aplicação da lei, é o que aprendemos desde o ingresso nas fileiras desta.
É uma instituição forte, como uma família e como família deveria estar vivendo. Existe um ditado que diz: “Família que cresce unida, permanece unida”. Se à família polícia militar trabalhar unida, pensar unida, crescer unida permanecerá pra sempre.
Infelizmente existe uma divisão nesta família. A classe dos Oficiais e a classe das Praças. Duas forças diametralmente opostas, cada qual lutando por suas causas, as quais deveriam ser por um objetivo único: a força pública militar em prol da sociedade.
Conforme Padre Léo em sua palestra “como bambus no Getsemani” (2002), faremos uma comparação da família Polícia Militar com a natureza, a família do bambuzeiro.
O bambu nasce no meio de uma touça (família) e leva anos para começar sua ascensão, seu crescimento, antes, ele cria suas raízes bem profundas e emaranhadas nas raízes de seus irmãos. Forma então uma base firme, para poder iniciar a subida, o crescimento. A polícia militar a mais de um século criou suas raízes, só faltou uma coisa; que estas estivessem abraçadas entre seus irmãos, oficiais e praças.
O bambu não nasce em touças separadas, um pouco pra cada lado. Ele não teria força. Sua força está na união da família, nas raízes profundas e abraçadas. A força da polícia militar está na união de oficiais e praças lutando por um objetivo comum.
O bambu inicia seu crescimento dentro da sua “família”, mesmos os da ponta, estão inseridos nesta, pois, suas raízes estão entrelaçadas para não deixá-lo sozinho. Quando chega a uma pequena altura, ele forma um nó que servirá como um anel de força para continuar a jornada. Os nós é que dão a resistência para que o bambu não rache, não quebre e quanto mais velho (antigo), mais os nós da base ficam juntos, quer dizer, mais força para o crescimento e sustentação para as fases difíceis.
Comparo os nós do bambu com os postos e graduações. Se pensar à PMSC como uma família unida, a base da corporação é que da sustentação para o serviço, para a instituição, para o “marketing”. Todos nós sabemos que nosso serviço é 90% prevenção e repressão para restaurar a ordem e quem faz 80% desse serviço é a base.
Do soldado ao subtenente os nós estão bem próximos. Eles se distanciam um pouco ao chegar nos oficiais subalternos, mas, a medida que o crescimento chega do capitão até o ultimo posto que é o coronel, estes nós estão bem longe um do outro.
Mas isso não significa fraqueza ou divisão, significa: UNIÃO, todos os nós em um só bambu. Desta forma ele se sustenta. Como uma “família” unida, a touça, e com os nós lhe dando resistência, unidos, ele suporta as tempestades, as adversidades, as intempéries da natureza.
Na hora do vento mais forte, ele se curva, seu topo vai até envergar próximo ao chão, mas, por causa de suas raízes fortes, de seus nós resistentes, “motivados”, ele não quebra, resiste, e, ao passar a tormenta ele se ergue novamente grandioso.
Professor Mendes, Jerônimo em seu artigo, ascensão e queda de Napoleão (2011) nos transmite esta mensagem: “quando viram que depois da vitória havia sempre outra guerra, o desânimo tomou conta do ser humano por trás do soldado. Descobriu-se que o seu egoísmo era mortífero (de Napoleão) para cada geração que nascia. A deserção foi geral. E assim Napoleão estreitou, empobreceu e absorveu o poder exilado em sua própria ambição, a milhares de quilômetros da França que tanto amou”.
Como o Grande exército do General Napoleão enfraqueceu, nossa grande instituição enfraquece dia a dia em que a distância entre os nós do bambu aumenta, isto é, enquanto oficiais e praças continuarem tão distantes, todos perderão de alguma forma, inclusive a comunidade.
O bambu não cria galhos para não atrapalhar seu crescimento dentro de sua touça bem unida. Pequenos ramos com folhas apenas para seu aquecimento. O bambu não fica enrolado ao seu “irmão” dependendo dele pra crescer ou a outra touça, eles não devem nada a ninguém porque um cuida do outro para crescerem juntos.
No final de seu artigo “Ascensão e queda de Napoleão” (2011), Professor Mendes, diz: “Toda experiência, individual ou coletiva, que tenha um objetivo baseado apenas no seu interesse particular, fracassará; você só pode mobilizar as massas (a equipe, o efetivo) se o interesse for mútuo”.
A Polícia Militar, grande e majestosa corporação, pode com certeza seguir este caminho. Raízes fortes já têm. Se esquecerem as diferenças entre as classes, lutar por interesses mútuos, unir forças como uma verdadeira família policial militar, motivando as bases, formando esses nós que dão resistência, não criando galhos que atrapalhem o crescimento, será sim, uma força pública de excelência com ciclo completo e com total aprovação dos colaboradores, da comunidade e do governo.




CONCLUSÃO

A vida de um cidadão “comum” muda radicalmente quando ele entra nas fileiras da corporação.  Sua rotina, seu circulo de amizade e suas aspirações se transformam. Esta transformação começa a ficar dolorosa quando um bom policial, o qual era um bom “cidadão comum” começa a sofrer a tormentas da desunião da família Polícia Militar.
No mundo atual parece não haver espaço para a realização de projetos coletivos... Tudo tem que ser individual: Eu tenho que conseguir um aumento de salário. Eu tenho que ser feliz. Eu preciso ter uma vida melhor... E o resto do mundo? Parece que as pessoas não sabem mais qual o significado da palavra União. Não sabem a força que possui um grupo de pessoas unidas por um objetivo comum (Coutinho - ----).
Os objetivos das classes dos oficiais e praças da Polícia Militar devem ser comuns. O mesmo horizonte deve ser almejado e o mesmo norte deve ser o caminho.
Quando procuramos lutar atrás de interesses individuais dificilmente obtemos êxito (e mesmo que obtenhamos, não teremos com quem comemorar o “sucesso”). As doutrinas individualistas trazem objetivos e conseqüências incongruentes: Ao mesmo tempo que incentivam o espírito de competição, que deveria gerar o crescimento, progresso e o desenvolvimento do nosso padrão de vida,  acabam acarretando desunião, intriga e, em conseqüência, o menosprezo e a discriminação por parte do vencedor em relação àqueles que não atingiram o mesmo nível daquele (Coutinho, 2008).
O foco da Polícia Militar deve ser a integração entre as classes que a compõem. Cabe com certeza aos oficiais, principalmente comandantes, primarem por esta integração.
Numa época de lutas por melhores salários, por equiparação, por ciclo completo e por plano de carreira não se ouve falar de aproximação de classes. Isto não quer dizer quebra da hierarquia ou da disciplina, estas são os pilares fundamentais que fazem à Polícia Militar ser tão respeitada ainda, isso quer dizer tratamento justo e igual entre policiais.
Perante a comunidade, maior cliente da PM, todos os policiais são iguais, independente de posto ou graduação, ela quer apenas ser bem atendida. As benesses das conquistas devem ser para todos os policiais militares e não para uma classe específica, a qual tem a mesma atribuição constitucional que a outra.
Os homens de base, assim que sentirem que fazem parte do sistema e que não estão “a deriva”, estarão dispostos a enfrentar as mais insuportáveis “tormentas” que assolarem a instituição. Pois, conforme nos conclui (Padre Leo), se a touça (instituição) estiver unida, com raízes fortes e entrelaçadas entre seus “irmãos” (oficiais e praças) e os nós (postos e graduações) mais próximos, tornarão a família polícia militar resistente.  




REFERÊNCIAS

Padre Pereira, L. T. G. Palestra Como Bambus No Getsemani (2002), transmitida ao vivo pela TV Canção Nova.

Junior, A. A. dos S. A Hibridização Organizacional Das Polícias Do Brasil (2011). Disponível em: < http://www.univali.br/modules/system/stdreq.aspx?P=3661&VID=default&SID=498393785050598&S=1&A=close&C=30570>. Acesso em: 21 out. 2011.

Professor Mendes J. Feliz da Organização Que Aprende (2010). Disponível em: http://www.jeronimos.com.br/index.php/artigos/pensamento-empreendedor/148-organizacao-que-aprende Acesso em: 15/09/2011.

Professor Mendes, J. Ascensão E Queda De Napoleão (2011). Disponível em: http://www.jeronimomendes.com.br/index.php/artigos/pensamento-corporativo/441-ascencao-e-queda-de-napoleao Acesso em: 15/09/2001.

Coutinho, N. C. A. Uma Palavra Chamada União. Disponível em:  http://niltoncarloscoutinho.vilabol.uol.com.br/uniao.html. Acesso em: 15/09/2011.

UNION BETWEEN CLASSES IN THE MILITARY POLICE, UTOPIA OR A POSSIBLE REALIZATION

ABSTRACT
This article aims to launch a clinical look at the corporation to diagnose a real problem, of course, is the main reason for the disinterest in the service currently in the police. The PMSC is going through turbulent times for various reasons, differences in constitutional duties, media criticism, in short, whatever they are, there will always be what can be done is to reduce its incidence. It is high time that we turn our eyes to the inside of the institution and analyze events. Something is not right. Following the teachings of Father Leo and nature, a new way of thinking and living the military police as a large and united family.
Keywords: Family, Military Police, Bamboo, officers, courts, union.

UNIÓN ENTRE LAS CLASES EN LA POLICIA MILITAR, UTOPÍA O UNA POSIBLE REALIZACIÓN

RESUMEN
En este artículo se pretende lanzar una mirada clínica en la corporación para el diagnóstico de un problema real, por supuesto, es la principal razón para la falta de interés en el servicio actualmente en la policía. La EMSP está pasando por tiempos difíciles, por diversas razones, las diferencias de los derechos constitucionales, la crítica de los medios de comunicación, en definitiva, cualesquiera que sean, siempre habrá lo que se puede hacer es reducir su incidencia. Ya es hora de que volvamos nuestra mirada hacia el interior de la institución y analizar los acontecimientos. Algo no está bien. Siguiendo las enseñanzas del padre de Leo y la naturaleza, una nueva forma de pensar y de vivir la policía militar como una familia grande y unida.
 Palabras clave: Familia, la Policía Militar, de bambú, funcionarios, tribunales, la unión.


[1] Policial Militar desde 09 de dezembro de 1996. Promovido a cabo por ato de bravura em 2003. Aluno sargento da Polícia Militar do Estado de Santa Catarina, graduando em Tecnologia em Processos Gerenciais pela Faculdade Tecnológica de Curitiba. Nivelado na 16ª Instrução de nivelamento de conhecimento da Força Nacional de Segurança pública em 2005.
e-mail: sgtpanca@gmail.com